Notícias

Guilherme Toldo figura no Espaço dos Campeões do jornal Lance


Todas as segundas-feiras o jornal Lance, maior diário esportivo do Brasil, reserva um espaço em sua edição impressa para trazer depoimentos de atletas. Chama-se “Espaço dos Campeões” e nele figuram atletas de todas as modalidades. Na última semana, foi a vez de Guilherme Toldo de trazer o seu relato. Confira na íntegra abaixo:

Olá leitores do Lance! Me chamo Guilherme Toldo. Suponho que você não me conheça! Pois bem, sou atleta de alto rendimento desde os 16 anos. Tenho sorte de ter um dos meus sonhos de criança realizado, quando participei da minha primeira Olimpíada em 2012, da segunda em 2016 e me sinto extremamente abençoado por poder praticar todos os dias o esporte que amo. Quando pequeno, penso não ser muito estranho da realidade da maioria de todo jovem ter diversos Heróis, como Homem-Aranha, Power Rangers, Gustavo Kuerten, Super-Homem, João Souza, entre outros.

Pratico Esgrima, um esporte presente no calendário olímpico desde a primeira edição dos Jogos da era moderna, em Atenas 1896. No meu esporte, assim como Vôlei, Natação e Atletismo, a participação nos Jogos Olímpicos representa um marco na vida do atleta. Durante quatro anos, nos preparamos da melhor maneira possível para poder ter o melhor desempenho do nosso ciclo olímpico nessa competição e trazer o melhor resultado para o nosso país.

Entretanto, por acaso você já ouviu falar de nomes como Maicon Siqueira, Erlon de Souza, Kahena Kunze ou Bárbara Seixas? Acho improvável… Nada obstante, me permito lhe fazer uma segunda pergunta. Você saberia me dizer o nome de cinco atletas de futebol que participam da segunda divisão do campeonato brasileiro? Acredito que, assim como para mim, seja mais fácil de responder!

E se eu lhe disser que todos esses atletas são medalhistas olímpicos, que inclusive conquistaram suas respectivas medalhas na Rio 2016? Engraçado esses nomes passarem desapercebido, não é mesmo?! Sem qualquer crítica ou questionamentos à instituições públicas ou privadas, meios de comunicação ou qualquer pessoa que se sinta atingida, infelizmente essa é a realidade do esporte olímpico.

Antes que seja tarde, gostaria de esclarecer que esse texto não tem nenhum teor crítico, polêmico ou muito menos condenatório.

Voltando ao tópico, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, levando em consideração os 200 milhões de brasileiros e os 465 atletas que compunham a equipe do Brasil, se pode constatar que somente 0,00023% da população teve a chance de defender a nossa bandeira na Olimpíada. Por poucos segundos pensei que fosse mais fácil encontrar uma pessoa com super poderes do que um atleta olímpico na rua…

De qualquer modo, no auge dos meus 25 anos, completados em setembro, sigo me questionando por que os medalhistas olímpicos brasileiros passam tão despercebidos. Conheço tantas crianças com smartphones, tablets, álbuns e folhetos passando na frente dos olhos. Não é novidade que além de exigir muita dedicação, treinamento, coragem, determinação para derrotar nossos adversários, ser um atleta no nosso país seja extremamente complicado.

Ainda assim, não descobri se há idiossincrasia à ser evidenciada para que se pudesse despertar o brilho nos olhos da nova geração. Talvez eu esteja me esquecendo de algumas outras características básicas, mas também me soa espirituoso que eu não era tão exigente com os meus heróis, quando pequeno…

Mas de qualquer forma, como citei anteriormente, sigo questionando-me do que pode ser feito. Vou seguir treinando 6 vezes por semana durante cerca de 6 horas por dia e divulgando nas minhas redes sociais (@gui_toldo) os meus apoiadores e patrocinadores, Exército Brasileiro, Bolsa Atleta, Time Brasil, Allstar International e Clube Grêmio Náutico União. Para evitar falsas esperanças, já antecipo que até o momento não conquistei nenhuma medalha olímpica, talvez nem chegue a conquistar, contudo, ter a chance de me tornar um herói é o meu combustível.


  • 12 de julho de 2018